terça-feira, 23 de novembro de 2010

Você não viu quando eu me transportei de novo para o meu lugar de sonhos inóspitos e água parada.



Fui embora escutando 5 minutos, para lá, onde a luz é pouca, aonde o calor não chega fácil.
Aquele lugar onde as almas ficam paradas.
Onde todos os pensamentos estão, mas não nenhum se fixa.
E as cinzas do cigarro marcam o começo e o término de um alívio passageiro.
Um lugar onde o passado teima em não ir embora, mesmo vendo aos poucos seus restos se desmancharem pelo tempo.
As corujas de um sonho descansam durante o dia, no meu lugar de pensamento nenhum.
E os lugares escuros ficam longe de mim, longe...
Como lugares não explorados, assim como os buracos negros da minha mente.
E o cheiro que soa pelo ar é de completo descaso, é perfeito.
Perfeito pra mim nesse momento.
Mas eu não sou só mais, eu não entendo, mas eu não sou mais tão só.
Eu vejo ir embora a escuridão que um dia fui eu.
E não consigo agarrar ela. Não consigo não deixar ela partir.
É o mais estranho.
E no final da música meus olhos vão baixando e vendo apenas aquela réstia do Sol ao meu lado.

sábado, 13 de novembro de 2010

Ato de Cair


Num lugar escuro
Onde transparece um feixe de luz,
Eu vejo várias vezes a mesma cena,
Como se fosse apertado o replay sempre.

Várias vezes, a mesma coisa.
E dura apenas alguns segundos.
Só há uma ação na cena.
Uma única ação o tempo todo.

Eu não consigo ver mais nada,
Mas deve haver agentes que influem na cena.
Porém eu acho que o maior agente pode ser a minha cegueira.

Me agustia o coração,
Não agüento mais ver isso.
E as letras aqui contidas,
Fazem sempre parte desse processo,
Dessa cena.


Eu só vejo ela,
A menina.
Seu vestido preto delicado por cima
Do seu corpo fino.
Apenas os dois naquele vazio negro, que é mais um fingimento do que uma escuridão.

O feixe de luz passa tão perto dela que parece querer atravessá-la,
É tão triste ver ela se levantando o tempo todo.
Dói em mim, acho que é porque até posso ouvir o impacto da queda o tempo todo.

Suas mãos saindo do chão, impulsionando o corpo para cima o tempo todo.
Todos os dias, eu vejo essa imagem,
Essa mesma garota, esforçando-se para manter-se em pé.
Queda.
Queda.
Queda...