sábado, 13 de novembro de 2010

Ato de Cair


Num lugar escuro
Onde transparece um feixe de luz,
Eu vejo várias vezes a mesma cena,
Como se fosse apertado o replay sempre.

Várias vezes, a mesma coisa.
E dura apenas alguns segundos.
Só há uma ação na cena.
Uma única ação o tempo todo.

Eu não consigo ver mais nada,
Mas deve haver agentes que influem na cena.
Porém eu acho que o maior agente pode ser a minha cegueira.

Me agustia o coração,
Não agüento mais ver isso.
E as letras aqui contidas,
Fazem sempre parte desse processo,
Dessa cena.


Eu só vejo ela,
A menina.
Seu vestido preto delicado por cima
Do seu corpo fino.
Apenas os dois naquele vazio negro, que é mais um fingimento do que uma escuridão.

O feixe de luz passa tão perto dela que parece querer atravessá-la,
É tão triste ver ela se levantando o tempo todo.
Dói em mim, acho que é porque até posso ouvir o impacto da queda o tempo todo.

Suas mãos saindo do chão, impulsionando o corpo para cima o tempo todo.
Todos os dias, eu vejo essa imagem,
Essa mesma garota, esforçando-se para manter-se em pé.
Queda.
Queda.
Queda...