sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Amaldiçoarão os Deuses as pessoas as quais me encontrarem pelo caminho ?


A solidão escura da noite,
Que esconde todas as coisas a que posso fingir me apegar,
Me assiste nesta luta com  as palavras.

Náuseas, Náuseas...
O vazio que habita a minha alma está me enjoando cada vez mais...
Minha mão é branca, meu sexo não desperta.

Não sei se os Deuses escolhem os destinos das pessoas,
Ou se as nossas linhas se cruzam tão bem só por coincidência.

Meu mundo é paralelo ao dos Deuses,
Cheio de máquinas e personagens criados por minha mente hipocondríaca,
Que nada sabe , nada vê, nada sente.

Meu mundo paralelo não consegue se relacionar
Com esses outros mundos paralelos...
Me sinto tão estranha, tão não pertencente a este Planeta.

Amaldiçoarão os Deuses as pessoas as quais me encontrarem pelo caminho?
O que sou na mão deles? Um veneno viciável? Uma arma de fogo?
Fogo que destrói e purifica,
Fogo sem gasolina.
Fogo.

A noite esvai-se como se não houvesse tempo,
Minha náusea acaba, ainda sou nada.
Os Deuses...
Esses eu nem sei por onde andam ou o que fazem,
Mas são muito bons  no que fazem.

A Dança das Borboletas



Tarde de Sol decadente,
O Sol fica mais gentil para a doce dama,
Seu vestido de chita, seu cabelo curto e negro,
Ela estica seus braços para sentir o dia...
Seus pés já sentem a cidade,
O calçamento quente,a pedrinhas que machucam.
Alguns nem a veem, outros ignoram a provável loucura da moça...
Ela anda pelos velhos lugares que restaram da Paraíba,
Ruas semi-desertas.
Ela canta o poeta da terra,
Espera que a achem louca e a deixem sozinha na sua loucura...
Seu sorriso não desaparece facilmente...
Gritos são ouvidos, Gargalhadas...
Poemas... Músicas...
Não sei se importa saber quem é aquela menina que rodopia
Pelo centro histórico, Transparecendo a loucura humana,
E deixando escapar a loucura divina...
Um vestido de chita sendo balançado pelo ar
em plena terça-feira.
Braços abertos, rodopios...
Música.

Agridoce


Doce vicio do veneno
Que me deixou extasiada,
Excitada, fervendo.

Doce contentação física
Que senti saindo do seu corpo e indo de encontro ao meu.

Veneno que eu emiti e nunca percebi.
E você me fez pagar o preço,
Experimentar de um doce angústia,
Eu amei, amei...
Mas algo deu errado,
Procurei por mim em seus olhos,
E eu não estava lá...

Nunca estive,
Me afastei do vicio,
Mas talvez eu queira voltar,
Talvez obter daquilo que ninguem nunca me ofereceu.
Dessa coisa rara,
Que me arrepiou.

Surrealismo?


Somente agora sinto a solidão
Me abraçar.
Meus olhos não escondem a decepção dos meus ultimos erros,
Meu organismo reflete minha alma...

Ando com tanto sono...
Com tanto sono...
Só queria dormir, dormir,dormir...
Agora, não há mais ninguem por mim além de mim...

Eu só queria dormir,
dormir escutando Led Zeppelin...
Onde estão meus amigos?
E cadê os seres humanos perfeitos e confiavéis??
Cansei de todo esse drama inútil e adolescente...
Vamos ficar quietos quando não houver nada para dizer.

Filha do Vento


Meu coração se foi,
Disse: Adeus, talvez eu volte um dia...
Quem sabe...

Fiquei apenas a olhar o Universo...
Sou agora, apenas o vento que acaricia seus cabelos.

Meus olhos estão mais negros,
Minha criança está desperta,
E não há mais tragédias.

Mas minha bondade permanece a mesma.
Minha bondade.
Minha covardia e sacanagem também.

Sou agora o vento que acaricia seus cabelos,
Sou também a noite em sua majestosa apresentação,
Sou apenas o vento que acaricia seus cabelos
Na ausência de outro corpo quente,
Você fica comigo.
Apenas comigo.

Meu coração se foi,
Sem data para voltar,
Eu virei vento,
Fantasma do Universo.

Cubículo


Neste cubículo, em que quase não caibo
As paredes da solidão estão prestes a engolir-me.
Não há janela alguma.
E a porta está trancada,
Não sei onde está a chave.

Eu não fui compreendida
(Também não compreendi)
Eu achava que era diferente e
Por isso desrespeitava os outros.
(Todos são diferentes e nunca percebi)
Eu achei que tava certa
( Um relógio parado nunca está totalmente certo ou errado).

O cubículo que me sufoca,
Não foi criado por ninguém além de mim.
Eis que agora encontro algo em meu bolso.
 A chave da porta.

  A chave.
    Basta sair.

Prostituta



Eu entreguei meu corpo
Em função dos seus prazeres.

Eu negociei gemidos,mordidas, carícias...
E tudo isso não significou nada.

Tudo o que tem de mim, não diz quem sou.

Eu seguirei avante,
Seduzindo homens,
Negociando apenas o que o dinheiro pode comprar...

Esperando alguém que  queira conhecer a minha alma.

Funerais


Fui em todos os meus funerais
Vi diversas vezes, centenas de vezes,
Os olhos vidrados , vazios.
Nas últimas vezes,
Acendi velas,rezei.
Nem chorei.
Nas últimas vezes
Me agarrei à Fênix dentro de mim.
Minha poderosa Fênix.
Tenho visto funerais ao meu redor,que não são meus,
Mas que têm me deixado assustada quanto à humanidade.
Será que é nossa sina morrermos enquanto estamos vivos?
Em minhas preces, com velas acesas,
Peço à minha Fênix que continue comigo.
Em minhas preçes, peço com velas acesas,
Que  eu possa fugir pra longe do Refúgio dos Covardes onde cresci.


Meu anjo

Sinto quando me deito,
Alguém tocar em meus cabelos,
Acariciar minha pele
E velar o meu sono.
Ás vezes me pergunto se mereço esses carinhos,
Se mereço a atenção de um anjo tão bom assim...
Agradeço ao meu Pai por permiti-lo se aproximar de mim.
Ó doce anjo, quem dera eu pudesse ver seu rosto,
Acariciar a tua pele, beijar seus tão macios lábios,
Retribuir o seu amor.
Me diga, meu doce anjo, porque me escolheu...
Hoje à noite,proclamarei algumas palavras,
Em forma de canto para que possas me ouvir.
E se  não puder me ouvir,
Leia meus lábios ou até mesmo meu pequeno coração,
Porque eu preciso anjo,
Que você saiba que eu também te amo.

Leves Pedras



Quantas vezes sentados nessas pedras cantamos nossas tristezas, nossas alegrias?
Essas pedras agora sozinhas, presenciaram nossos encontros, nossas descobertas...
Quantas vezes sentados nessas pedras discutimos as nossas diferenças sem procurar iguala-las?
Quantas vezes essas pedras nos viram brincar com a nossa inocência hoje esquecida?
Essas pedras puderam sentir o nosso amor florir...
Sentiram o nosso desejo aumentar, os nossos corpos se unirem manifestando algo maior.
Gloriosas pedras, carregadas hoje na memória, sem peso nenhum, por ironia, apenas leves e doces histórias, do começo,
 Inicio de hoje.

Espelho


Foi em teus olhos sangrentos
Que pude ver a alma da dor,
Expressa agora em lágrimas quentes

Foi a partir dos teus olhos sangrentos
Que com sangue comecei a desenhar a minha luta.

Foi vendo teus olhos sangrarem,
Que vi as angústias mundanas.

Foi neles, que reconheci meus olhos ali,
Que há tempos choravam silenciosos e tristes.

Como um espelho.

Fim



  “Toca as minhas mãos
     Ainda quentes
     Ainda que nossos lábios
     Não toquem se mais
    Encostam-se nossos
    Corações aparentemente frios
    Com o calor oculto
    Que chora
    Por ter que se apagar

   Toquem-se ainda as mãos
   Que um dia tocaram bem mais
   Que um corpo
    As mãos que um dia
    Foram mais que mãos, pontes,
    Voltam agora a ser simples
    Mãos distantes”.

Estrelas na minha Calçada

Seria ótimo se você aparecesse
Aqui na minha calçada.

Aí então você deitaria ao meu lado,
Olharíamos  as estrelas e
Assim voltaríamos a sermos amigos.

Conversaríamos sobre o mundo, o universo,
os egípcios, o três reis magos...
E eu lhe diria:
  Preste atenção ao céu,
As estrelas se revelarão para você.

Esqueceríamos o nosso romance velho
E eu seguiria mais feliz,
Se você simplesmente aparecesse nessa calçada.


(Escutando The Rain Song - Led Zeppelin)

01/10/10

Oi, voltando  a blogar, espero que dessa vez seja diferente...
Espero que dessa vez meu blog esteja menos idiota.