quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Silêncio
E tudo vai ficando em profundo silêncio.
Desaparecem até os ecos.
Me vejo assim e me espanto.
A vida jaz em meu peito,
As letras por mais que estejam certas já não significam nada
E minhas lágrimas se tornam mais escassas a cada dia,
Não por sinal de força, mas por sinal de fracasso.
Sinal de que a morte está me vencendo a cada dia.
Quando havia gritos de dor e lágrimas escandalosas,
Havia vida lutando contra o luto,
Assim como quando há febre no corpo,
E quando o corpo esfria, melhora ou morre.
Meu corpo morre, minha alma se entrega.
Por favor, não me deixe só
Porque eu não tenho medo do escuro e ele me consome lentamente.
Quando a morte deixa seu gosto em minha boca

Ás vezes, escurece e a gente nem percebe
E um dia eu deixei a escuridão penetrar na minha alma transparente
E então a minha visão ficou turva
E eu não pude mais perceber o certo e o errado.
Eu não pude mais aceitar os erros que não eram meus me afetassem de uma forma que só eu morresse. Então decidi deixá-los morrer,
Eu já morri demais.
E ás vezes, depois de cada renascimento parece que consegui pela última vez.
Só o que fiz, foi viver.
Não sabia mais distinguir certo e errado,
Não guardava lembranças.
Eu fui embora e você ficou, como algo não iniciado.
E se alguém por acaso ler estas linhas e entendê-las, me explique,
Pois eu não consigo entender mais nada.
O mundo virou escuridão e eu não estou esperando mais ninguém acender uma vela.
Buraco
Sinto falta da minha casa,
Onde há pessoas de menos,
Mas a natureza me fornece melhor companhia.
Sinto falta da minha casa,
Onde o pôr e o nascer do Sol determinam a duração de uma vida.
O meu motivo agora de andar
É tentar preencher um vazio que já existe há tempo demais para eu resistir.
Sinto falta da minha casa,
Não sei como chegar lá,
Não sei como chegar lá.
O Sol marca o tempo da minha vida.
Mesmo que quando ele está a iluminar, a minha escuridão própria
Não deixe transpassar luz.
Me encontro tão perdido.
Que eu nem sinto mais o mundo,
E todas as coisas parecem vãs,
A humanidade parece patética
E o meu lugar parece ser qualquer lugar
Porque eu não me importo com qualquer coisa que aconteça.
Sinto falta da minha casa.
Eu não sei como chegar lá.
Ou se ela ainda existe.
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