quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Maria


Ela era só uma menina que se perdeu
Entre os vários caminhos.

Um perfil meu que veio antes de mim,
Ela era uma das faces minhas que acabo de reconhecer.

Eu poderia ser todo mundo,
Poderia ser o que já sou :
Qualquer uma.

Qual é o problema dela?

Será que o problema é mesmo dela?

O dedo do acusador não é diferente do dedo do acusado.

Mas as situações mudam de pessoas,
As situações fazem as pessoas,

Ela se perdeu.
Só.

Vida


Enquanto viveu
Soube mais que os outros que ela viria

Soube seu destino e não teve dó ou dor
Pois por ela foi causado seu próprio fim.

A morte não lhe amedrontava mais
Como nos tempos de infância.

Seu coração aposentou-se cedo
E sua alma resolveu brincar em todos os carnavais.

O fim da sua esquizofrênia
Chegou quando as células já não podiam conter o mal que ela havia iniciado.

Aí ela viveu,
Viveu.

E isso é tudo.

Quando minha cabeça vai explodir de pensamentos reprimidos


Meu eu quando se esvazia
Deixa a morte na minha boca.

Meu eu quando é enchente
Transborda até coisas que nem de mim são.

Minha esquizofrênia não me deixa perceber o mundo como é.

E quando uma brecha
A porta deixa escapar
Do mundo só consigo ver
A solidão.

E eu me agonio
Com a minha falta de percepção
E eu me agonio
Quando descubro como as coisas são.

Hoje, nas palavras escapei.

Mas quando por fim a escrita acaba,
Eu esqueço tudo que senti, tudo que pensei,
E essas palavras passam a ser de uma pessoa desconhecida.